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ASAS provoca onda de calor sobre o Sudeste

Recordes de temperatura, poucas chuvas e baixa umidade do ar tem sido o cenário em boa parte do Sul e Sudeste nestas últimas semanas de 2016. Segundo os meteorologistas, as altas temperaturas já ultrapassaram os recordes históricos e são atípicas, mesmo para o verão. O centro de alta pressão derivado ASAS (Alta Subtropical do Atlântico Sul) continua em cima do Sudeste do Brasil causando bloqueios das frentes frias e limitando a condição de chuvas de forma fraca e isolada em alguns locais da capital e no interior do RJ.

O motivo para tanto calor é o bloqueio atmosférico chamado (ASAS) que deveria atuar mais próximo à Africa e se antecipou em boa parte do centro-sul do país, deixando um núcleo de alta pressão nos níveis médios, que dificulta a chegada de frentes frias vindas da Argentina e correntes úmidas da região Norte para o Sul e Sudeste. Este tipo de bloqueio está associado ao sistema de alta pressão que provoca aceleração dos ventos no mar e quando chegam à costa ao invés de estarem úmidas, estão secas, diminuindo drasticamente as condições de chuvas. O que mais chama a atenção são os ventos de Leste, que sopram sempre na mesma direção, ocasionado mais chuvas no interior do continente e calor intenso nas capitais e cidades litorâneas. Infelizmente, teremos um bloqueio como nos últimos três anos, no réveillon.

Os Modelos GFS demostraram a possibilidade para a formação de uma zona de convergência (ainda não identificada cientificamente) entre as regiões Norte e Sul do Brasil, com suporte do JBN (Jato de Baixos Níveis), além do anti-ciclone do Alto da Bolívia (AB), que está ativo e influenciando os estados do Centro-Oeste e parte do Sudeste para a formação de nuvens convectivas que poderão ocasionar fortes impactos para às populações destas áreas, seguidas de chuva forte, descargas elétricas, vendavais de 100 km/h e eventual queda de granizo associada ao calor e umidade, sempre no período da tarde para o anoitecer.

Os especialistas em meteorologia e climatologia são quase unânimes em creditar ao sol a maior das influências sobre a dinâmica climática da Terra. Dos elementos terrestres, são os oceanos que mais absorvem a energia solar, o que justifica o seu peso sobre o clima da Terra, inclusive sobre as cidades. Os fenômenos climáticos estão diretamente associados às variações de temperatura das águas dos oceanos. Além disso, eles são importantes na distribuição do calor, através das correntes marinhas e na circulação atmosférica, que ocorre, principalmente, com a umidade gerada pela evaporação da água do mar. A maior parte da radiação solar absorvida pelos oceanos é liberada para a atmosfera em forma de vapor d’água, que se transforma em umidade. Essa umidade, por sua vez, transforma-se em nuvens que se precipitam, dando origem às chuvas. Do mesmo modo, a condensação da umidade quente gerada pelo mar também está na origem da formação de ciclones.

Por ocupar 1/3 da superfície da Terra, o Oceano Pacífico é o que mais exerce influência e modificações sobre o clima no mundo. Os fenômenos cíclicos climáticos de curto prazo (El Niño e La Niña) e os de médio prazo (Oscilação Decadal do Pacífico) ligam-se diretamente ao comportamento das águas. Outro exemplo da influência dos oceanos sobre o clima é a grande seca ocorrida na Amazônia no ano de 2005, uma das maiores da história da região. Ela foi causada por um aquecimento anormal das águas do Oceano Atlântico que poderá voltar a se repetir, se caso essas tendências permanecerem.

Predições/estimativas da semana:

As temperatura devem permanecer altas e acima de 40º graus. Alguns modelos indicaram um risco maior de (tempestades) vespertinas mesmo para o litoral. Existem muitas divergências nos modelos por causa do bloqueio que limita uma análise melhor.

Quinta-feira, 29/12 – Predominantemente claro e temperaturas altíssimas com baixo risco de tempestades vespertinas no interior. O litoral vai continuar quente e um pouco mais úmido devido à formação de um cavado e o calor poderá ficar elevado (incluindo à noite) que pode se tornar canicular se não chover;

Sexta-feira, 30/12 – Calor intenso continua, as temperatura podem ultrapassar os 40°C. Cavado fica bloqueado em parte do Sudeste e vai para o mar. Baixo risco de tempestades vespertinas que devem ficar somente pelas regiões do RJ, Sul, Serrana, Norte e dos Lagos;

Sábado 31/12 – Ensolarado com nuvens esparsas, temperaturas altas (canicular) e chuva somente no interior associadas as tempestades vespertinas, (baixo risco para o litoral). Risco para situação de seca associado a La Niña fraca/moderada;

Domingo e segunda-feira, 01 e 02/01/2017 – Começa como acabou o ano de 2016, com a persistência da canícula e risco baixo para tempestades no litoral, risco maior para o interior região Serrana, e Sul do estado;

Terça-feira, 03/01 – ASAS (Alta Subtropical do Atlântico Sul) cede um pouco e uma frente fria chega a SP, suas instabilidades podem influenciar o RJ à tarde e o risco de tempestades são possíveis e altas temperaturas permanecem;

Quarta-feira 04/01 – A frente fria entre o PR e SP continua a influenciar o RJ. O tempo fica mais nublado e pancadas de chuva esparsas podem ocorrer ao longo do dia com risco maior à tarde. A ASAS volta a ganhar força no meio do oceano e as temperaturas permanecem muito altas tornando o ambiente insuportável;

Quinta-feira 05/01 – ASAS se move gradativamente no sentido do continente e o tempo volta a ser muito quente com pancadas de chuva acontecendo esporadicamente apenas na região Serrana e sul do estado;

Contribuição do Prof. V.O. Lessa Paleontólogo do Clima.
Fontes: NOAA, GFS, Windyty, INMET, INPE-ETA.

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