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Ciclone Subtropical na costa do Sudeste poderá ser nomeado pela Marinha do Brasil

Um novo sistema de baixa pressão atmosférica se organizou durante esta semana, mais especificamente na tarde desta sexta-feira, e avança na manhã deste sábado, 03/12, sobre o sul do Brasil. É possível que cause tempestades severas associadas à formação do “ciclone subtropical’ na costa até o anoitecer, segundo as modelagens. Vale lembrar que a Depressão Subtropical que atingiu a costa de SP e RJ no último dia 21/08, final da Olimpíada, ocasionou transtornos à população, mar de ressaca com ondas de até 6.00 metros e vendavais de 170 km/h.

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As tempestades subtropicais/tropicais quando se formam no oeste dos EUA ocorrem do mar para o continente, ou seja, da direita para a esquerda. No Brasil, essas baixas pressões com vorticidade ciclônicas avançam do continente para o mar e, dependendo da TSM (temperatura de superfície do mar), podem ganhar  características de ciclones de núcleo quente. As projeções dos modelos GEM, NAVAGEM, GFS, NOAA (South Atlantic Tropical Services) são de que as baixas pressões do Oceano Atlântico estão alimentando a umidade da Amazônia e possibilitando maiores chances para a formação deste sistema de características tropicais na costa brasileira, como ocorreu esta semana e foi observado pela NOAA.

 

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P.S.: Conforme os estudos sobre Oscilação Ártica do Hemisfério Norte, os reflexos para o Brasil são a Oscilação Antártica (AAO) para o hemisfério sul. A Oscilação Ártica (AO) é um índice climático do estado da circulação atmosférica voltado para o hemisfério norte que simplificadamente baseia-se na distribuição das anomalias de pressões (altura geopotencial) entre médias latitudes e regiões polares. Isto é um pequeno exemplo da complexidade do sistema atmosférico, um tipo de conexão entre o hemisfério norte e o hemisfério sul. Existem muitas variabilidades naturais do próprio clima e padrões de conexões atmosféricos até remotos que podem influenciar o tempo e o clima.

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Quando o novo sistema de baixa pressão avançar para o mar entre PR e SP, a Marinha do Brasil poderá nomeá-lo como “Eçaí ou Guará”, uma vez que é uma baixa pressão bem organizada e concêntrica. No último dia 15/11, feriado da proclamação da República, foi nomeado como Tempestade Subtropical Deni e, quando associado à formação da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), causou transtornos às populações do estado de MG, na cidade de Aimorés, causando inundações e mortes pelas região. Seguidamente o estado do ES sofreu com a passagem do Deni, com grandes volumes de precipitação causados pela ZCOU (Zona de Convergência de Umidade) afastada da costa.

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Segundo as observações nas cartas sinóticas da NOAA, existem chances deste sistema de baixa pressão ganhar características sobre o Sudeste, devido a TSM entre 24º e 26º graus Celsius. Este ciclone subtropical, conforme descrição publicada no site do INPE, nesta sexta-feira, 02/12, poderá provocar linhas de instabilidades que são conhecidas como SCM (sistema convectivo mesoescala) ou CCM (complexo convectivo meso-escala), que são aglomerados de nuvens do tipo Cumulonimbus de dezenas ou centenas de quilômetros de extensão. Não se descarta chance para formação de Microburts e Downbrts sobre as cidades associadas ao calor e umidade. Este sistema pode provocar  queda de granizo e possibilidade para formação de tornados.

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P.S.: O INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) espera chuvas muito intensas e podem causar inundações, enchentes e deslizamentos de terra associadas aparentemente à formação da ZCOU ou mesmo da ZCAS (divergências nos modelos) sobre todas as regiões do Sul e Sudeste do Brasil, entre os dias apartir 03 à 07/12. Ciclones subtropicais concêntricos conseguem puxar a umidade da Amazônia para cima das cidades e causar transtornos às populações devido aos grandes volumes.

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P.S.: Conforme as nomenclaturas e descrições dos ciclone subtropicais, a baixa pressão com 998/997/993 hPa, muitas divergências. Modelos GFS e NOAA apontam que durante a madrugada de sábado para domingo (4/12) há possibilidade para subtropical em 60% e poderá ser  nomeado como “Eçaí ou Guará” pela Marinha do Brasil, órgão responsável pela Bacia.

São considerados distúrbios (Sistemas de baixa pressão/cavados, que apresentam potencial para desenvolvimento, com consistência mínima de 24 horas):

– Distúrbio Subtropical, em caso de serem tropicais (Núcleo quente em baixa e alta troposfera):

– Depressão Tropical: quando a baixa apresenta circulação fechada e ventos inferiores a 64 km/h.

– Tempestade Tropical: quando a baixa apresenta circulação fechada e ventos entre 64 e 117 km/h.

– Furacão: quando a baixa apresenta circulação fechada e ventos igual ou acima de 118 km/h.

Projeções modelos GFS

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Modelos GFS apontam mar de ressaca entre 4/5.00 metros. O ciclone subtropical pode provocar inundações da região costeira devido a sua aproximação com SP e RJ. As modelagens não levam em conta que estamos no período de Lua cheia e com o alinhamento planetário, o mar tende a ficar mais agitado.

 

INPE, GFS WIND.

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P.S.: A tendência é, pela posição do Ciclone Subtropical ao longo da costa entre RJ e SP, que ocorram pancadas de chuvas intensas em até 80 mm/hora, rajadas de ventos acima de 100 km/h, descargas elétricas, queda de granizo associada ao ar polar em contato com as massas de ar quente sobre as cidades. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) informa que pode ocorrer (até 04/12) a advecção de vorticidade ciclônica na vanguarda do cavado em níveis superiores que deverá forçar a queda de pressão em superfície, dando origem a um ciclone de características subtropicais sobre o Atlântico na altura do Sudeste. A presença desse ciclone deverá causar ventos muito intensos nas regiões costeiras de SP e RJ, além de contribuir para acumulados expressivos de chuva acima da média entre o litoral Norte de SP, RJ, sul do ES e o Sul e o Sudeste de MG.

Ressalta-se que no domingo (04/12), a formação do ciclone próximo à costa do Sudeste, poderá gerar grandes transtornos devido aos ventos intensos e a alta taxa de precipitação, caso se confirme a intensidade e posicionamento previstos.

 

Predição dos modelos para a semana no Rio de Janeiro:

Risco de chuva forte e vento no fim de semana no RJ, mais precisamente no domingo. Um centro de baixa pressão deverá se formar na fronteira Paraguai-Paraná e chegar ao mar no domingo, onde vai ganhar força e se transformar em um ciclone que poderá adquirir características subtropicais e ventos intensos no litoral. Esse é mais perigoso que o ciclone Deni da última quinzena devido a sua posição mais ao sul, o que vai obrigar que sua calda ou bandas de chuva forte passem obrigatoriamente pelo RJ. Já o modelo ETA põe o centro passando sobre o estado do RJ, mas essa opção é menos provável e traria menos chuva mas ventos mais fortes. Seguem as tendências…

Sábado, 03/12 – Tempo aberto na maior parte do dia, mas a baixa pressão no sul se desloca rápido e as primeiras tempestades associadas a ela podem chegar no fim da tarde, quando o centro alcança a costa do PR ou sul de SP ou, menos provável, sul do RJ (projeção do ETA);

ATENÇÃO

Domingo, 04/12 – Tempo variável de manhã com intensificação do vento até o começo da tarde quando pancadas de chuva forte locais são possíveis. O eixo das baixas pressões (tempestades) generalizadas associadas ao ciclone devem atravessar a Região Metropolitana do RJ entre o começo da noite e a madrugada de segunda-feira (05/12) – Essas chuvas podem causar inundações e queda de barreiras, principalmente na Região Serrana que deverá já estar com o solo saturado.

Segunda-feira, 05/12 – Madrugada e início de manhã podem ser muito perturbadas com fortes chuvas e vento. Essa chuva se afasta no decorrer do dia, mas pancadas ainda são possíveis e o vento deve persistir ainda forte;

Terça-feira, 06/12 – Ciclone Subtropical provoca chuvas generalizadas no eixo da região dos Lagos e Norte,  na divisa dos estados do ES e MG (Aimorés). Grandes volumes podem causar transtornos às populações com possíveis danos.

Quarta-feiras, 07/12 – Dia mais claro com risco baixo de baixas pressões (tempestades), isoladas na região serrana;

Quinta-feira,  08/12 – Dia muito quente mas úmido, com alto risco de baixas pressões (tempestades)  vespertinos;

Sexta- feira, 09/12 – Mais quente devido a um pré-frontal com continuado risco de baixas pressões (tempestades) orages vespertinos e noite muito quente onde não chover.

Sábado, 10/12 – Mudança de tempo já na madrugada.  Uma frente fria deve atuar com chuva durante todo o dia, risco maior no começo da tarde com diminuição da temperatura.

Colaboração do prof. Douglas V. O. Lessa Paleontólogo do Clima.

Fonte de pesquisa NOAA, GFS, Windyty, INMET, INPE-ETA, Rindat, Marinha do Brasil

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