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Primeira aparição da tocha Paralímpica emociona com experiência sensorial

Símbolo de celebração da diversidade vai passar pelas cinco regiões do Brasil antes da cerimônia de abertura dos Jogos em setembro de 2016

 

 

O ex-atleta Marcos Lima diz que design da tocha permite que ele 'veja' a paisagem do Rio  (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)
O ex-atleta Marcos Lima diz que design da tocha permite que ele ‘veja’ a paisagem do Rio (Foto: Rio 2016/Alex Ferro)

“A tocha Paralímpica me permite ‘ver’ as formas da cidade. O cartão postal do Rio está aqui na ponta dos meus dedos”. Assim Marcos Lima, deficiente visual e especialista em Integração Paralímpica do Comitê Rio 2016, definiu a Tocha Paralímpica Rio 2016 lançada, nesta sexta-feira (11), no cinema Kinoplex São Luiz na Zona Sul da cidade. Na apresentação para convidados que incluiu nomes do esporte Paralímpico, como o nadador Clodoaldo Silva e o canoísta Caio Ribeiro, a plateia vivenciou, a partir da exibição de um vídeo sonoro, a experiência de um cego como condutor do revezamento da tocha.

Experimente aqui o vídeo sonoro da apresentação da tocha Paralímpica

Tocha Paralímpica com texto em braile

Com design que valoriza a inclusão e apresentando as curvas do relevo do Rio de Janeiro de forma similar à da Tocha Olímpica, o objeto traz os valores Paralímpicos escritos em braile: na parte da pega, onde condutores vão segurá-la, está inscrito “coragem, determinação, inspiração e igualdade” em português e inglês.

“Depois dos Jogos Olímpicos, começa o grande evento esportivo do ano”, brincou Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes e do presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman. “Os Jogos Paralímpicos Rio 2016 são uma oportunidade de educação e legado. E a tocha irradia esses valores agregados”, completou Parsons.

Nuzman destacou o trabalho conjunto entre os comitês Olímpico e Paralímpico do Brasil: “Estamos em um momento especial  da nossa caminhada. Nossos atletas são exemplos de força de vontade. Teremos Jogos espetaculares, de marcar época”.

Revezamento da tocha no Brasil

Na apresentação também foi anunciado o percurso do revezamento da tocha Paralímpica. Entre os dias 1º e 5 de setembro de 2016, a tocha vai passar por cinco cidades – uma de cada região do Brasil – até chegar ao Rio de Janeiro, em 7 de setembro, para a cerimônia de abertura. No roteiro está São Paulo, Belém, Natal e Joinville. Brasília ainda está para ser confirmada. “É o momento de envolver o país como um todo. Porque, apesar dos Jogos serem do Rio, eles são de todo o Brasil. Temos uma presença Paralímpica muito forte em todas as regiões do país. Joinville, por exemplo, tem iniciativas extraordinárias”, ressaltou Parsons.

Valores Paralímpicos em braile

Ex-atleta de futebol de 5, Marcos Lima emocionou os convidados ao ler os quatro valores inscritos em braile na tocha. Acessibilidade é o diferencial da tocha Paralímpica: “Fizemos testes com deficientes visuais. Eles me diziam que nunca tinham conseguido saber como eram o Pão de Açúcar e o calçadão de Copacabana, mas que, ali, conseguiam ‘ver’. Essa é a ideia: comunicar a todas as pessoas”, disse o designer Gustavo Chelles, da empresa de design Chelles e Haiashi, um dos responsáveis pelo projeto.

A Tocha Paralímpica foi criada a partir dos mesmos conceitos da Tocha Olímpica, celebrando paixão e transformação, valores fundamentais dos Jogos Rio 2016. Elas se parecem e revelam suas diferenças apenas quando abertas. Os relevos sinuosos representam pontos altos e baixos na vida dos atletas. O movimento ascendente dá ideia da expansão dos limites do corpo humano. Há símbolos como o calçadão de Copacabana, a ondulação do mar e dos contornos de montanhas do Rio de Janeiro. O ponto mais alto, com a chama, representa o sol e o ouro Olímpico.

 

Imagem Rio 2016

 

Experiência sonora

No lançamento da Tocha Paralímpica, no cinema São Luiz, foi revelado um conteúdo especialmente produzido pela equipe audiovisual do Rio 2016: um vídeo sonoro, captado com técnica binaural (ou 3D), que provoca a percepção de sons vindos de diversas direções e permite ao espectador-ouvinte viver por alguns minutos a experiência de um condutor da tocha com deficiência visual. A narrativa sonora provoca a imaginação a partir de sons que a equipe de produção captou em locais como a praia de Copacabana e em estúdio, com atores ocupando espações diferentes.

Para a produção, com direção geral de Clara Eyer, foram necessários dois microfones separados por cerca de 18 centímetros, simulando o posicionamento dos ouvidos humanos. Algumas captações utilizaram também uma cabeça artificial, para tornar o efeito ainda mais real. A mixagem foi especial, destinando sons para determinadas lados, ou buscando o centro ou em movimento ao redor do ouvinte.

 

 

 

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