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Garotas do rugby levam Brasil ao bi em desafio na praia de Ipanema

Sem a rivalidade do futebol, brasileiros e argentinos jogam para desenvolver o esporte que entra no programa Olímpico no Rio 2016

 

Seleção brasileira ganha torneio feminino de rugby em clima de festa no Rio
Seleção brasileira ganha torneio feminino de rugby em clima de festa no Rio

Texto: Denise Mirás  Fotos: Alexandre Loureiro/Inovafoto

Muito mais difícil que jogar rugby é enfrentar uma quadra de areia sob sol, com sensação térmica beirando os 40 graus. As garotas da seleção brasileira passaram pela prova no sábado (19) e conquistaram o bicampeonato do Super Desafio BRA de Beach Rugby – que contou com a participação de oito seleções, de seis países, na arena montada no Posto 10 da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. No masculino, a Argentina não deu chance aos adversários para chegar ao bicampeonato.

Mais que preocupação técnica, o clima era de descontração e festa – justamente o que planejaram os dirigentes da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu). A ideia é “esquentar” o público para um esporte ainda pouco conhecido no Brasil, que no Rio 2016 estará no programa dos Jogos Olímpicos depois de muita batalha.

Torneio de rugby na praia de Ipanema

As disputas tiveram mais contato terrestre e “muita perna” para vencer a areia fofa

Jéssica, da seleção brasileira – que na final venceu a Argentina por 8 a 5 –, diz que só em Dubai sentiu tanto o calor como em Ipanema, neste sábado. E mesmo jogando em areia, quando o rugby sevens é em grama, a atleta acredita que o grupo tenha aproveitado os jogos porque “sempre se aprende”. Houve mais trabalho de contato terrestre, em vez de jogo aéreo, e “muita perna”.

Os argentinos – que na final derrotaram Portugal por 9 a 5 – saíam da arena até com dificuldade de respirar. Principalmente das primeiras partidas, mais próximas do meio do dia. Rodrigo se disse “demasiado cansado”até para falar, enquanto Nicolás explicou que em casa já estão procurando treinar em cidades mais quentes, pensando nos Jogos Rio 2016. De toda forma, ainda são meses de avaliação para as seleções definirem seus titulares. Sonho de todos, os Jogos estão fazendo os atletas do rugby treinar “além da conta”, como diz Francine, de apenas 20 anos.

Argentinos: de rivais a professores

O rugby parece ter limado a rivalidade entre Brasil e Argentina – pelo menos fora das quadras. Há uma verdadeira “armada” do país vizinho trabalhando pelo esporte no Brasil: Agustín Danza, CEO da CBRu; Andrés Romagnoli, técnico da seleção brasileira masculina; e também Santiago Ramallo, que é o gerente de rugby do Comitê Rio 2016.

Se o Brasil está com as seleções masculina e feminina classificadas para os Jogos Olímpicos, há um bom caminho a percorrer. A Argentina joga rugby desde 1873, como lembra Frankie Deges, diretor de comunicação da Confederação Sul-Americana. No masculino, sua seleção é uma das grandes do mundo – o que não ocorre no feminino. “Na Argentina era assim: rapazes iam jogar rugby, moças iam para o hóquei sobre grama.”

A jogadora Isa Fontanarrosa vê um certo preconceito e por isso apenas há alguns anos o rugby está crescendo mais entre as mulheres na Argentina (que terão de passar por uma dura repescagem para tentar vaga no Rio 2016).
Enquanto isso, os argentinos seguem ajudando o Brasil no esporte e, como diz o técnico Andrés Romagnoli, foi interessante a CBRu investir na vinda de argentinos como ele para o Brasil, porque vêm de um lugar onde o esporte é mais desenvolvido e, ao mesmo tempo, é próximo geograficamente e com relação à cultura.

Argentinos e brasileiros não são rival no rugby

Rivalidade entre argentinos e brasileiros só dentro de campo: com tradição no esporte, Argentina ajuda o rugby no Brasil

Agustín Danza acrescenta que, para a Argentina, também é interessante que o Brasil cresça no rugby, porque hoje os grandes rivais dos argentinos estão longe – na Europa e na Oceania.

Gabriel Cenamo, auxiliar que comandou a seleção brasileira feminina em Ipanema ao lado do técnico neozelandês Chris Neill, diz que o foco maior do evento na praia carioca era a divulgação do esporte, que luta para crescer. Sobre a “invasão argentina” no Brasil, o treinador diz que o país vizinho é um espelho. “Nós admiramos muito os argentinos. Aprendemos com eles. E no rugby não tem tanto essa rivalidade como no futebol.”

Mateus Estrela, também com 20 anos e na briga por vaga na seleção brasileira, com pés enfaixados por causa da areia “pelando”, brinca que os cinco minutos de cada tempo foram os “mais demorados” que já enfrentou. Para ele, que é de Niterói e vem do futebol, a relação entre brasileiros e argentinos é tranquila no rugby. “Apesar de ser um esporte de contato, há muito respeito. Todo mundo faz o que o árbitro manda, e só o capitão fala. Rivalidade mesmo, só quando é um contra outro dentro do campo.”

Sem cai-cai

Uma pontinha de rivalidade parece haver entre o futebol e o rugby. “O rugby é esporte de contato físico, mas não de violência. O que se faz está nas regras. Dizemos que o atleta de futebol passa 90 minutos fingindo ter sentido uma pancada, para poder sair do jogo. No rugby, o jogador passa 80 minutos fingindo não ter sentido a pancada, para ficar”, define um dos dirigentes.

 

Placar final

Na praia de Ipanema, com Brasil e Argentina em primeiro e segundo lugares no feminino, o terceiro lugar ficou com a Colômbia, que fez 4 a 3 sobre o Uruguai. No masculino, a Argentina venceu Portugal por 9 a 5 e o terceiro lugar foi da Itália, que fechou 6 a 1 sobre o Brasil.

Torneio de rugby na praia de Ipanema promove esporte no Brasil

Torcida carioca teve na praia uma prévia das emoções do rugby, que está no programa Olímpico dos Jogos Rio 2016

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