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Polícia Militar do Pará usa búfalos para patrulha na Ilha de Marajó

São muitas as lendas sobre como os primeiros búfalos asiáticos chegaram a esta ilha colossal no Delta do Rio Amazonas.

Uma diz que são provenientes das plantações de arroz da Indochina francesa, e que teriam chegado após o naufrágio de um navio com destino à Guiana Francesa. Outra diz que presos que fugiam de uma colônia penal na Guiana Francesa usaram os búfalos, que são hábeis em nadar, para ajudá-los a guiar embarcações improvisadas até a liberdade nos mangues de Marajó.
Independente de como chegaram, a espécie invasora se multiplicou na Ilha de Marajó e agora chega a cerca de 450 mil cabeças em uma ilha do tamanho da Suíça. Grande parte da vida cotidiana daqui gira em torno desses animais, que os ilhéus utilizam para catar lixo, montar durante festivais e para regularmente saborear filés de búfalo envolto em queijo feito de, sim, leite de búfala.
“A importância do búfalo em Marajó nos fez pensar”, disse o major Francisco Nóbrega, 41 anos, um oficial do 8º Batalhão da Polícia Militar do Pará. “Por que também não patrulhar de búfalo?”
Aproveitando essa ideia, surgiu um dos experimentos de policiamento mais incomuns do Brasil. Apesar dos búfalos terem sido domesticados em outros lugares por milhares de anos, chamados de “tratores vivos do Oriente” por seu papel em arar os campos, os oficiais do 8º Batalhão daqui elaboraram um plano para realizar suas rondas montados nos animais.
Uma vez por ano, o batalhão até mesmo coloca seus búfalos e policiais em um navio para Belém, a capital do Pará, onde em 7 de setembro percorrem as avenidas nas paradas que celebram o Dia da Independência do Brasil.
A unidade de búfalos começou nos anos 90, patrulhando a cidade de Soure, que tem 23 mil habitantes, e contendo uma ocasional briga de bar.
Com o passar dos anos, a missão se expandiu para incluir a perseguição de suspeitos que fogem pelas matas de Marajó e combate ao roubo de búfalos nas vastas fazendas da ilha.
“Os búfalos são nadadores notáveis, melhores do que os cachorros, e mais ágeis que os cavalos quando é necessário avançar pela lama”, disse José Ribamar Marques, um pesquisador em Marajó da Embrapa, a empresa brasileira pioneira em pesquisa, que se concentra na agropecuária tropical. “O animal também é dócil, facilitando seu contato com os seres humanos.”

Vantagens

De fato, os búfalos de Marajó têm certas vantagens.
Seus cascos bem abertos permitem que se movam com relativa facilidade pelos pântanos lamacentos. Eles também suportam bem o forte calor da Ilha de Marajó, que está quase diretamente na linha do Equador.
Várias raças prosperam na ilha, como a Murrah, prezada por sua carne e leite, e Carabao, conhecida por seus chifres em forma de foice. (O búfalo asiático é diferente do búfalo americano, que na verdade é um bisão, apesar de seu nome.)
E há outro benefício em usar os búfalos no trabalho policial, dizem alguns oficiais: ele ajuda a reduzir as tensões.
“Este é o tipo de lugar onde todo mundo sabe o que todo mundo faz”, disse Claudio Vitelli, 45 anos, um policial que patrulha regularmente em um búfalo. “Eu já tive que prender um tio meu por um pequeno delito e, antes disso, um primo.”
“Ser o sujeito montado no búfalo me torna mais acessível, o que torna meu trabalho um pouco mais fácil”, ele acrescentou.
O experimento em policiamento atraiu interesse em outras partes do país. A “Piauí”, uma revista intelectual do Rio de Janeiro, chamou a unidade de “Búfalo Soldiers” do Brasil, uma menção ao reggae clássico de Bob Marley e à inspiração da canção, os regimentos afro-americanos do Oeste americano do século 19. (Mas os soldados americanos montavam cavalos, não búfalos.)
Alguns na Ilha de Marajó apreciam a atenção.
“Poucas pessoas sabem quão importantes nossos búfalos realmente são, mas nossa polícia está aumentando a conscientização”, disse Antenor Penante, 30 anos, gerente de um curtume de propriedade familiar, que descreve orgulhosamente como sua empresa usa pênis seco de búfalo para fazer chicotes de cavalo e pingalins.
“Nós não desperdiçamos nenhuma parte do búfalo”, disse Penante, apontando para uma coleção de bolsas feitas de escroto de búfalo na loja do curtume. “A Ilha de Marajó deve se orgulhar de seus rebanhos.”

O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.  FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ DATA: 16.07.2013 SOURE - PARÁ
O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.
FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ

O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.  FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ DATA: 16.07.2013 SOURE - PARÁ
O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.
FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ

O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.  FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ DATA: 16.07.2013 SOURE - PARÁ
O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.
FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ

O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.  FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ DATA: 16.07.2013 SOURE - PARÁ
O 8° Batalhão de Policia Militar em Soure, há 21 anos, utiliza Búfalos – animal de grande porte típico da região do Marajó – no policiamento ostensivo e turístico da região.
FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ

Por Tony Cavalcanti

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