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Três anos sem Autódromo no Rio de Janeiro

Em 28 de outubro de 2012, foi o último dia em que o asfalto de Jacarepaguá recebeu automóveis para um evento esportivo. Fui um dos últimos a deixar o autódromo para sempre, nunca mais voltei para ver o que sobrou daquilo que chamávamos de “templo”.

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Não só aquelas poucas pessoas que estavam lá naquele dia perderam o seu lugar de prática desportiva, toda uma legião de pessoas, de humildes mecânicos a organizadores de eventos e empresários donos de equipe se viram privados de uma pista para correr, mas não era só isso, uma nova geração de pilotos que vinha sendo formada nos Track Days e nas provas do Regional carioca teve seu destino cortado.

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Foram trinta e cinco anos de história jogados na vala do esquecimento. Passados três anos, que serão completados em outubro, nada mais se falousobre a pista, um criminoso silêncio paira não só sobre o futuro do esporte a motor no Rio de Janeiro, bem como sobre os motivos que levaram embora aquele que um dia foi um dos autódromos mais modernos da América do Sul. Não são apenas palavras vazias, o autódromo era de fato tão bem desenhado que possuía as maiores certificações da FIA para a prática do esporte a motor, sediou a F1, MotoGP e F-Indy, sendo que esta última teve construído um traçado exclusivo ao custo de milhões de dólares para apenas 3 corridas, sendo o primeiro a ser inviabilizado em 2007 para a construção dos equipamentos do Pan 2007, e que hoje estão subutilizados.

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O automobilismo brasileiro tem que ser visto em dois segmentos: os diletantes e os profissionais. Por diletantes entende-se todos aqueles que correm por gosto ou paixão, entre esses, destaco os pilotos da Copa Classic (e das outras duas categorias similares que correm junto e que não me vêm à cabeça agora) e os pilotos da Velocidade na Terra, e posso incluir um pouco também o pessoal da Endurance Sul. Todos esses correm por amor, pelo gosto de sentir o carro na mão em alta velocidade, pelo companheirismo fora da pista, enfim por aquilo que poderíamos chamar de “automobilismo romântico”.

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Por Profissionais, incluiríamos todos aqueles correm com patrocínio, sejam eles grandes os pequenos, que têm alguma ambição de subir para carros mais potentes ou sofisticados, ou correr em uma equipe grande, com patrocínio de peso, aparecer na mídia, enfim, viver do automobilismo.

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O cenário do automobilismo brasileiro aponta uma estagnação, nenhuma categoria nova foi criada e algumas se foram, como a antiga GT3, outras agonizam, como a F3 Brasil, todas as tentativas de salvar a primeira foram infrutíferas e a segunda se mantém aos trancos e barrancos, com poucos carros e defasagem tecnológica em relação ao que se faz lá fora.

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O futuro do nosso automobilismo depende de novas pistas, categorias de base acessíveis, leia-se baratas, não precisam ser tecnologicamente avançadas, bastam dar prazer do piloto conduzir o carro, uma categoria de turismo acessível, para carros de motor 1.4 ou 1.6 standard, pneus de rua, eletrônica lacrada para não favorecer quem pode comprar um equipamento regulável, enfim, receitas simples como as pistas de terra do sul do país, de onde vieram as carreteiras que tanto encantaram nas pistas nos anos 50 e 60.

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O Brasil hoje precisa criar seus talentos do esporte a motor longe dos grandes centros, onde um autódromo seja valorizado, o Rio de Janeiro jogou fora trinta anos de história do esporte a motor no nosso país, e nada vai trazê-la de volta, mas se não conseguimos salvá-la poderemos ao menos vingá-la, em cada lugar onde estiver um carro roncando alto seu escape, seja numa reta de arrancada, seja numa pista de terra vermelha no interior do país, ainda vibrará o mesmo sentimento de quem subiu pela primeira vez aquela ponte em arco para chegar aos boxes.

Nos vemos por aí, nas estradas da vida.

Foto e texto de Serginho Bloomfield.

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