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Novo ciclista da Cannondale, brasileiro fala sobre o calendário 2015, novos equipamentos e treino com suíços

Principal nome do mountain bike brasileiro há pelo menos dois anos, Henrique Avancini se prepara para, em 2015, dar o salto definitivo para brilhar no circuito internacional. Isso porque a partir do ano que vem o ciclista de Petropólis (RJ) será um dos quatro integrantes da Cannondale Factory Racing, uma das principais equipes do MTB mundial, após dois anos.Ao seu lado estarão os consagrados Manuel Fumic (Alemanha) e Marco Fontana (Itália), além de Anton Cooper (Nova Zelândia), considerado uma das principais promessas do MTB. Mas potencial para competir de igual para igual Avancini já mostrou que tem. Ainda que em 2014 os resultados não tenham vindo conforme o esperado, o brasileiro foi novamente campeão da CIMTB, medalha de ouro nos Jogos Sulamericanos e manteve-se regularmente no top-20 do ranking da UCI.

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Para 2015, o ex-ciclista da Caloi Elite Team primeiramente deverá se adaptar aos novos equipamentos. Algo que Avancini já trata de realizar nesse final de ano, com diversos treinamentos no Brasil. Mas não foram só treinos que tomaram o tempo do brasileiro nas últimas semanas. O ciclista também ‘ciceroneou’ a delegação suíça de MTB, que esteve no Brasil conhecendo um pouco da estrutura do Rio de Janeiro e também os principais locais de treinamento, já visando a Olimpíada de 2016, um dos principais objetivos do atleta. Confira a seguir um papo com Avancini.
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Prólogo: Para a próxima temporada, o que irá mudar no seu dia a dia agora que você é atleta da Cannondale? Irá morar e treinar na Europa ou seguirá no Brasil? E em relação à sua equipe técnica?
Henrique Avancini: Na parte de minha preparação e pré-temporada alguns pontos mudarão, mas nada que envolva a equipe. A CFR permite que todos os atletas trabalhem da maneira que julguem ideal em termos de preparação física e por isso faz mais sentido que no começo do ano eu passe mais tempo no Brasil, onde encontro um clima favorável, boas condições e fico mais próximo dos profissionais que me auxiliam na preparação e também da família. Em relação a equipe técnica, algumas novas parcerias estão sendo feitas. A única pessoa que permanece firme e forte ao meu lado é meu treinador, o brazuca Hélio Souza. Em relação ao staff da CFR terei grandes profissionais ao meu lado e acredito que essa tranqüilidade será um grande diferencial. Até 2014, tive que gerenciar muitos as coisas. Muito stress e preocupações e agora vou conseguir ficar mais focado apenas em minha performance.

Prólogo: E em relação ao calendário? Será parecido com o de 2014 com uma mesclagem entre etapas da Copa do Mundo e competições no Brasil e América do Sul?
Henrique Avancini: Pretendo diminuir um pouco a quantidade de provas e farei algumas alterações na estrutura do calendário. Continuarei competindo algumas provas no Brasil que sejam válidas pela UCI, mas a principal mudança será na maneira como vou lidar com o calendário. Deixo de dar importância as provas nacionais e passo a ter liberdade de dar atenção somente as grandes provas do calendário mundial. Será importante pra mim, não se preocupar em fazer bons resultados no Brasil, pois os circuitos não têm o mesmo nível de Copas do Mundo ou Mundial e isso faz uma diferença muito grande na preparação. Para a CFR o mais importante são os resultados nos grandes eventos e isso se encaixa perfeitamente com os meus planos. Não é uma mudança tão simples. A periodização da preparação muda bastante, mas acredito que estou tento um bom começo.

Prólogo: Agora em relação ao equipamento, já está definido qual será sua bicicleta em 2015? Como está a adaptação?
Henrique Avancini: Em 2015 estarei competindo com o novo modelo hardtail da Cannondale, a FSi Team e o modelo full-suspension, Scalpel Team. Eu já estou treinando com a FSi Team e priorizei a adaptação com a hardtail, pois em conversa com os atletas da equipe eles me falaram que a nova bike é tão eficaz que a full só é necessária em situações e circuitos muito extremos. A FSi não pode ser considerada uma hardtail normal. Eu fiquei por quase 3 anos em cima de uma mesma geometria e achei que demoraria muito mais para me adaptar. Os primeiros treinos foram bem difíceis. Quanto mais avançado o nível do piloto, mais demorada fica a adaptação. Após cerca de 4 semanas pilotando a bike, comecei e entender o posicionamento e como tirar o melhor da bicicleta. Hoje já me sinto com um conforto razoável e já começo a evoluir a pilotagem. Estou bem ansioso para chegar no período de competições e sentir realmente como será o desempenho.
Prólogo: Já se reuniu com seus novos companheiros de equipe Marco Fontana, Manuel Fumic e Anton Cooper? Como foi a recepção? Haverá um trabalho em equipe para privilegiar algum ciclista ou você terá liberdade para buscar seus resultados?
Henrique Avancini: Nos encontramos durante a temporada. Apesar de se tratar de duas estrelas e uma das maiores promessas do esporte, a recepção foi muito boa. Todo o staff da equipe também me recebeu bem. O clima dentro da equipe é muito profissional porém existe muita proximidade entre todos. Gosto muito de trabalhar com seriedade, ser próximo e poder confiar nas pessoas a minha volta. A equipe aparenta ser exatamente assim e acredito que isso vai facilitar minha adaptação e integração coma  equipe. Sobre a liberdade nas provas, eles lidam com o XCO considerando uma disputa individual, sendo assim, tenho total liberdade para competir da maneira que eu quiser e de buscar os resultados que eu almejar. Já estive em outras equipes e sei bem quando é necessário ajudar um companheiro de equipe e que isso às vezes é mais importante do que o resultado individual, então apesar de não ter obrigação, espero poder ajudar meus parceiros de equipe.
Prólogo: Você recentemente esteve treinando com a equipe suíça de MTB (entre eles Nino Schurter) no Rio de Janeiro. Como foi a experiência? Os suíços vieram para o Brasil já pensando nos Jogos Olímpicos de 2016?
Henrique Avancini: Foram bons dias. Em 2013 sofri uma queda no mundial da África do Sul, e fui clinicado pelo médico da equipe suíça. Como agradecimento, ofereci ajudá-los no que fosse necessário e no que estivesse ao meu alcance. Foi uma experiência produtiva. Ajudei no contato com o Comitê Organizador dos Jogos, indicação de hotéis, academia e mostrei a eles os meus principais locais de treinamentos. Dei algumas informações importantes, mas também absorvi boas informações. Foi uma boa troca. Tem sempre algo novo para aprender e quando você passa um tempo com os melhores pilotos da atualidade, sempre é possível aprender algo. Mas devo admitir que foi bom ver algumas dificuldades e fraquezas deles também. Eles não se adaptam às nossas condições com tanta facilidade.
Prólogo: Por fim como você avalia sua temporada 2014 e quais são suas projeções para o novo ano?
Henrique Avancini: 2014 foi um ano difícil, porém produtivo. Cresci muito como atleta, mesmo tendo muitos problemas e os resultados não aconteceram da maneira desejada em algumas competições. Em algumas ocasiões a forma era excelente e tive que lidar com problemas, principalmente furos de pneu em 5 grandes competições. Lidar com esse azar foi pesado pra cabeça. A medalha de ouro nos Jogos Sulamericanos, o título da CIMTB, 9 vitórias pelo ranking internacional e ter se mantido toda a temporada no top20 do ranking UCI, foram boas marcas, mas tenho pontos a melhorar e muito trabalho pela frente. 2015 será um ano de muitas mudanças e o primeiro passo é que eu me adapte as mudanças da maneira mais rápida possível. Acredito que depois que eu estiver familiarizado com todas as alterações, o desempenho deve crescer de maneira considerável. Tenho o objetivo de chegar o mais desenvolvido possível para os Jogos do Rio 2016, então 2015 deve ser o ano de ajustar as coisas da melhor maneira possível.
Foto: Fabio Piva

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